Por INfoesporte
23/07/2012 - 10h39
Tudo começou na metade do segundo turno do Campeonato Catarinense. Várias lesões obrigaram o então técnico Branco a mudar as peças principais, mas os reservas não correspondiam. O preparo físico foi o primeiro vilão, a montagem do elenco foi o segundo e a gota d'água para a crise se instalar no Figueirense foi a derrota para o arquirrival Avaí nas finais da competição. O vice-campeonato estadual derrubou os alicerces do clube do Estreito.
Sem uma condução a contento, o reflexo é visto dentro de campo. A série histórica de dez jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro da Série A é somente a ponta de um iceberg que ainda esconde muitos problemas. Problemas que foram em parte identificados por Adilson Batista, que não assinou contrato com o clube.
Marcos Moura Teixeira, sócio da Alliance Sports, parceira financeira do Figueirense, é o pivô do conflito. Acostumado a liderar sem ser questionado, o diretor de futebol não gostou de ser encurralado por conta dos maus resultados no estadual e pela montagem do elenco que segue formado por jogadores recorrentemente com problemas de lesão.
Ele escolheu o gerente de futebol, Chico Lins, como o bode expiatório. Pediu à diretoria que o demitisse. Fato que recebeu a anuência do presidente Nestor Lodetti, chegou a acontecer, mas que, a pedido dos jogadores, foi reconsiderado por Lodetti. No entanto, semanas depois, Chico adoeceu e passou cerca de 40 dias hospitalizado em São Paulo.
A partir dali, Marcos Moura Teixeira se viu obrigado a dialogar com os jogadores nos vestiários. O relacionamento que já não era bom piorou. Alguns líderes do elenco teriam pedido a Lodetti que o afastasse desse convívio. O pedido não foi aceito e o time segue caindo de rendimento.
Paralelo a isso, membros do Conselho Deliberativo teriam manifestado incômodo com os altos gastos do clube sob a gerência da parceira Alliance Sports. A discussão era com relação à Leonardo Moura, diretor executivo e outro associado da Alliance. Gestor que estaria dando prioridade ao projeto Arena Figueirense e se descuidando do futebol.
A onerosa contratação do atacante Loco Abreu despertou setores do clube menos privilegiados economicamente. Mas foi além e ganhou ecos ruidosos no elenco. Afinal, em pleno julho de 2012, os jogadores ainda aguardam o pagamento do prometido bônus financeiro, o bicho, pela classificação à Sul-America e também o 13º salário de 2011.
Marcos Moura Teixeira e Leonardo Moura. Dois executivos da Alliance Sports. Mas esta não é a única parceria do clube presidido por Nestor Lodetti. A Brazil Soccer, do empresário Eduardo Uram, vem há tempos demonstrando insatisfação com a mudança na postura do clube. Seus indicados não eram mais tão bem recebidos como antes. E como não estão dando certo desportivamente, o "eu avisei" do próprio empresário e de seus partidários no clube virou a trilha sonora da Série A 2012. As parcerias entraram em choque. Cada um querendo vender com exclusividade o elixir da cura para todos os problemas.
Nesta manhã desta segunda-feira, fortes rumores na capital catarinense dão conta de que a parceria entre Eduardo Uram e Figueirense Futebol Clube chegou ao fim.
E o clube não se pronuncia a respeito.
Leonardo Moura, Marcos Moura Teixeira, Eduardo Uram e Nestor Lodetti foram procurados por esta reportagem desde a demissão do técnico Argel Fucks. Não recebemos resposta.
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