Especial: O presidente que aprendeu - Parte Final

Zunino encerra a entrevista ao INfoesporte ao falar sobre torcida e Ressacada

Por INfoesporte

21/02/2012 - 21h31

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Zunino lamentou o público avaiano na Ressacada neste início de temporada (Foto: INfoesporte)

Concluindo a entrevista especial com o presidente do Avaí João Nilson Zunino, perguntamos sobre a política de plano de sócios e de preços dos ingressos praticados pelo clube. O esvaziamento é notório. A média de torcedores na Ressacada neste Campeonato Catarinense é de 4.600 pessoas por jogo. Este número deixa o clube na terceira posição do Estadual atrás do rival Figueirense, com pouco mais de 6.600 e do Joinville que atinge quase 7.400 espectadores por jogo.

O plano de sócios para este temporada, o Sempre Avaí, prevê mensalidades para adultos homens de R$ 50 a R$ 95, que dá direito ao associado de assistir aos jogos do Avaí como mandante. Já os ingressos, variaram de R$ 30 a R$ 80 para o clássico contra o Figueirense pela sétima rodada do Campeonato Catarinense.

O presidente João Nilson Zunino defendeu o preço mais elevado para o torcedor como forma de empurrar estes torcedores a se associarem ao Avaí. Segundo o presidente, o preço dos ingressos, de forma isolada, não tem relação direta com a presença de espectadores. Fatores como desempenho esportivo, conforto da televisão, acesso ao estádio, horário dos jogos e até saturação do assunto interferem diretamente na opção do torcedor avaiano.

Menos de 10 mil pessoas na Ressacada para ver um Clássico depois de cinco vitórias seguidas (Foto: Mafalda Press)

João Nilson Zunino - O nosso melhor público aqui foi em 2010. E foi mais caro. No início. Estou falando do início. E por quê? Porque nós fizemos uma campanha extraordinária em 2009. Nós fomos sexto colocado no Campeonato Brasileiro. O nosso arquirrival fez uma excelente campanha esse ano que passou ficando em sétimo lugar, embora eles achem que são o Barcelona. Eu particularmente, João Nilson Zunino, presidente do Avaí, sou extremamente favorável ao ingresso bem pago e com o preço de sócio razoável. Todo mundo deveria ser sócio. Eu queria ter 20 mil sócios aqui e não ter que vender ingresso nenhum. Mas se tiver que vender ingresso, que ele seja caro. Por quê? Porque eu quero sócios. Sócios pagando R$ 50 por mês podendo assistir a todos os jogos. Isso é o óbvio, o lógico. Não vejo como contestar isso.

O presidente cita o exemplo do clube espanhol Barcelona como argumento para a política de preços de ingressos.

- Você vai no Barcelona ver quanto que eles cobram no ingresso? Nem tem. Ele tem só sócios. É outra realidade porque eles pensaram nisso. Não é da sociedade deles, do Pib (Produto Interno Bruto). Nós somos o quarto, quinto Pib do mundo. Isso não vem ao caso. Eu quero dar minha opinião. Eu sou a favor disso. Você acha que um time que joga quatro vezes em casa e que divide por quatro R$ 50, dá R$ 12,50, não é muito barato esse ingresso? Então eu estou cobrando. Se ele não for sócio, ele vai ter que pagar R$ 50. Em 2010, a gente teve aqui Campeonato Catarinense, Copa do Brasil, Sul-Americana e Série A. Tudo isso estava pago aqui no plano de sócio. A imprensa precisa ajudar nesse raciocínio. É assim que se trás o povo: com ele pagando R$ 50 por mês.

Porém, o baixo público neste início de temporada incomoda o mandatário azurra.

- Claro que não estou satisfeito com essa média, mas vai olhar para o Figueirense para ver quanto que o Figueirense tem de média. Não dá 5 mil (dá 6.600). Porque o Avaí tem que dar mais que o outro. Eu gostaria que sobrasse pessoas toda vez.

Outro argumento utilizado por Zunino é de que o esvaziamento de estádios acontece por todo Brasil.

- Você sabe quantas pessoas deram no jogo Botafogo x Bonsucesso? Mil e poucas pessoas no Engenhão. Você está entendendo? Não tem como. O Figueirense, por exemplo, que fez uma campanha extraordinária, e era um time que estava muito bem, era para dar mais de 7 mil pessoas em cada negócio desses. A culpa é do ingresso que eles estão cobrando? Não é. É uma saturação do futebol. Só tem um lugar que tem gente de monte de qualquer maneira: Norte/Nordeste. O BaVi (Bahia x Vitória) deu mais de 30 mil. Eu não quero entrar no mérito do ingresso. Pode colocar a R$ 1 aqui que dá 3.200 pessoas.

Sala da presidência (Foto: Filipe Calmon/INfoesporte)

Segundo o presidente, no momento da negociação com um potencial patrocinador, o número de torcedores avaianos e a média de público no estádio não tem influência.

- Nenhum dos dois. Se fosse por isso, ele não patrocinava. É o quanto que aparece na telinha o nome dele, do patrocinador. É a mídia. Nós temos o valor da marca do Avaí na televisão. É enorme. Cada um dos patrocinadores que estiveram aqui, como a Eletrosul, nós fizemos uma demonstração. Nós tivemos bem mais que o Figueirense, por exemplo. Foram seis ou sete vezes o valor da mídia mais cara que ele poderiam colocar na televisão o que eles conseguiram com a gente. Do mais caro. É isso o que eles levam em conta.

Esse levantamento não é feito pelo Avaí, empresas de São Paulo têm sido escolhida para calcular o valor da marca Avaí.

- Nós pagamos anualmente para empresas que fazem esse levantamento. É um documento muito detalhado, muito bem feito, altamente profissional. A mídia, se você ver a revista Negócios com o Banco BMG, eles mostram o tanto que aquilo vale. O retorno é enorme. É isso que eles levam em consideração, é isso que eles olham. Não é pelo torcedor que vem aqui no estádio, não é por isso. É claro que eles querem um estrutura do estádio e do clube bem feita. Eles não podem ver uma bagunça porque isso depõe contra a marca.

A proibição do consumo de bebida alcoólica também foi lembrada pelo presidente.

- Por que o público não vem no estádio? Primeiro, o futebol está muito saturado. Quantas partidas de futebol você assiste na semana se você quiser? Isso satura também. Tem uma hora que o sujeito não aguenta. E tem outro detalhe. É muito mais fácil ver o jogo dentro de casa tomando whisky quem gosta whisky, tomando cerveja quem gosta de cerveja do que vir aqui.

Ver o jogo em casa, pelo sistema de TV paga, o pay per view, colabora com o esvaziamento, mas, segundo o presidente, não pode ser visto como vilão da história, que tem ainda outros quatro fatores relacionados.

- Todos os jogos do Avaí são televisionados. O nosso pay per view, em Florianópolis, cresceu demais por causa de Avaí e Figueirense. Nós temos hoje mais de 22 mil pay per view por conta do Estadual. Para o Estadual. Porque pode ter pay per view que colocaram só para o Brasileiro. Segundo, televisão aberta que ainda tem. Terceiro, saturação do futebol que nós já conversamos. Quarto, horário de jogos que tem que obedecer à televisão e eu não reclamo não. Eu acho isso uma coisa muito boa. Eu não estou criticando, estou só listando. A quinta coisa que tem para o nosso clube aqui, o Avaí, vocês sabem disso, é um fato real. Sabe quanto que nós pagamos para o policiamento vir nesse último jogo aqui? Aproximadamente R$ 8 mil para a polícia. Sabe por que que tem isso tudo? Vieram 300 policiais para cá. Não é porque aqui tem gente mais perigosa. Só tem uma via para chegar aqui. Isso é um inferno. É a mesma razão que eles colocaram 300 homens aqui para cuidar do Clássico. Eles dizem que têm que botar gente duas horas antes e duas horas depois que terminar o jogo. São seis horas de homens da polícia. Como eles cobram por hora de trabalho, sai praticamente R$ 8 mil. Porque para chegar aqui o torcedor tem que chegar muito cedo e demora para sair. Leva duas horas para esvaziar um pingo de gente de 10 mil pessoas. Para mim, um pingo de gente. E leva duas horas. Essa é uma das grandes dificuldades da presença de público aqui na Ressacada.

O desafio é lotar a Ressacada e deixá-la inteiramente como nesta foto tirada no Clássico (Foto: Mafalda Press)

Apesar de toda a argumentação justificando o baixo público, Zunino não vê esse fato com passividade.

- Lamento. É normal para essa dificuldade, mas eu lamento. Nesse último jogo, não teve um terço de sócios. Ele é um avaiano. Ele quer ajudar o time, mas ele não vem. Ele paga e não vem no jogo. Ele paga e não está aqui na frente. Ele fica vendo o jogo de casa, no restaurante, tomando whisky com os amigos, tomando a cerveja. Ainda não pode vender cerveja dentro dos estádios. É um negócio esdrúxulo. Se a porta do bar, dentro do estádio, estiver virada para fora, pode vender cerveja. Para dentro não pode. Isso é a lei. Absurdo. O cara enche a cara lá fora e entra para o estádio para dar trabalho. Então nós é que deveríamos ganhar, não é verdade?

Para melhorar a frequência do torcedor na Ressacada, ele apontou apenas uma saída: melhorar o acesso à Ressacada.

- Há dois anos e meio nós participamos ativamente com a senadora Ideli Salvatti e outros deputados daqui que foram conosco duas ou três vezes aos Ministérios da Cidade e do Transporte. Nós fomos lá, conseguimos a verba para a duplicação disso daqui que seria a parte inicial para ir ao Aeroporto, chegaria até a Ressacada. Deram o dinheiro, ficou depositado na Caixa Econômica Federal e os ?eco-chatos? sempre tinham uma coisa. E nós pagamos o pré-projeto para não demorar e sair rápido o dinheiro. A Caixa Econômica dificulta por um lado, o Denit dificulta pelo outro, a Fátima por outro, a Prefeitura por outro. Se tu olhares, no que eles falam um para o outro, nenhum está dificultando, mas eles não conseguem se entender. Isso só existe aqui. Isso era para estar pronto há dois anos. Agora eles são obrigados a fazer porque senão o aeroporto não sai. Então vai sair. A nossa questão é essa. É fazer com que isso fique pronto. Fazendo isso nós vamos ajudar bastante a resolver esse problema - concluiu Zunino.

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1 Comentários para:

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Comentários

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    Du (Biguaçu)

    22/02/2012 - 09h52

    O título da matéria está errado, tem que ser: O Presidente que não aprendeu. O cara quer comparar a torcida do Figueira com a torcida do bvai. Quando estávamos na série B a média de público do Figueira era muito superior a do time desse sonhador. Não adianta tentar usar as mesmas táticas do Figueira senhor zuzu. A nossa torcida é a maior, mais apaixonada e fiel do estado, por isso as coisas dão certo. Aprende logo cara. Com ingressos a R$5,00 a ressaqueda não lota... hauhuahuah Que piada esse cara.
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