Por INfoesporte
17/02/2012 - 21h07
Desde o final do Campeonato Brasileiro de 2011 que o presidente João Nilson Zunino dá declarações de que cometeu erros. Com o Avaí sendo rebaixado à Série B, criticou jogadores, treinadores, gestores, mas não tinha outra alternativa senão admitir a responsabilidade maior. O fracasso de 2011, segundo Zunino, o fez refletir sobra as falhas e ele assegura que aprendeu com os erros cometidos e que não vai repeti-los em 2012.
Em pouco menos de duas horas de entrevista ao INfoesporte, nominou cada um deles. Em alguns casos, rebateu alguns pontos levantados e repetidos tanto pela imprensa como pela torcida.
Depois de rebater as críticas de que errou no planejamento da pré-temporada 2011 e de assumir a falha em manter Vagner Benazzi como treinador do time depois da Série A 2010, Zunino fala agora sobre a saída do técnico Silas e a chegada do técnico Gallo.
Paulo Silas Pereira
Contratado durante o segundo turno do Campeonato Catarinense de 2011, Silas conseguiu conduzir o Avaí até a semifinal da Copa do Brasil, perdendo a vaga na final para o Vasco da Gama. O time carioca acabou sagrando-se campeão enquanto o Leão, abatido, começou o Brasileirão com três derrotas seguidas.
Presidente João Nilson Zunino - Fizemos uma excelente Copa do Brasil. O Silas queria ficar no Avaí de qualquer maneira. Ele chegou para mim dizendo isso e eu perguntei qual era a proposta dele do Qatar. Ele tinha, sei lá, U$1,5 milhão para ganhar em dez meses. Eu disse a ele que ele não iria ganhar isso no Avaí de jeito nenhum. Eu não tinha como botar mais nada. Ele tinha que ir para o Qatar, era a vida dele. Eu disse isso para ele. Ele disse que não queria ir, mas ele tinha outro problema que era a família dele que não ficava aqui enquanto ele estava aqui - como não ficou no Grêmio - e ele é muito família. Indo para o Qatar, iria a família inteira.
Silas acabou recebendo uma oferta do futebol do Qatar e a aceitou com mais do que a liberação avaiana. Ele foi aconselhado por João Nilson Zunino a aceitar a proposta árabe. Zunino segue afirmando que agiu corretamente.
- Não me arrependo de tê-lo liberado assim. Ele vinha de resultados pífios no Brasileiro. Ele tinha perdido do Flamengo de 4 a 0. Não foi só por causa do time reserva. O time reserva merecia ter ganhado de 2 a 0 do Flamengo lá. Deu bola na trave, o goleiro foi o melhor em campo e ele fez substituições que acabaram com o meio-campo. Ele deixou um Ronaldinho Gaúcho e um Thiago Neves jogando sozinho na meia cancha. O que você quer? O time do primeiro tempo marcava. No segundo tempo, ele fez substituições que a gente colocou a mão na cabeça. Ele deixou um Ronaldinho Gaúcho e um Thiago Neves... Tá bom que ele não jogam nada, né... Fizeram o que bem entenderam. Mas também não seria por isso. Outra coisa mais importante do que isso. O Silas, meu grande amigo mesmo, tinha um empresário (Adriano Spadotto) que botava minhoca na cabeça dele por causa de dois mil Réis ou qualquer coisa - reclamou Zunino.
Somado aos resultados e à grande oferta árabe, estava uma suposta depressão. Pelo menos, na observação do presidente do Avaí.
- O Silas... a gente olhava e não era aquele Silas que vendia alegria, que vendia entusiasmo, que começa a carreira no Avaí e ficava aqui por dois anos. O Silas foi muito maltratado pela torcida e pelo Grêmio. Ele saiu de lá e foi para o Flamengo. Aí ele saiu de lá e veio para cá. O Silas estava em uma espécie de depressão esportiva. E você via que ele não iria sair daquilo. Ele estava muito sentido com o que aconteceu, ele deu umas declarações infelizes quando foi para o Grêmio sobre a gente, recebeu vaia aqui na Ressacada. Essas coisas todas não faziam daquele o melhor momento para ele continuar. Além da proposta extraordinária. Qualquer pessoa de bom senso sabe que ele tem que aproveitar aquela oportunidade: um bom dinheiro que ele não faria aqui no Brasil - repetiu Zunino.
Alexandre Gallo
Mas para o presidente, nenhum erro foi tão grave e gera tanto arrependimento quanto o que se seguiu à saída de Silas para o Qatar. Contratar Alexandre Gallo não fazia parte do plano inicial.
Presidente João Nilson Zunino - Durante o momento que o Silas estava aqui e que nós já tínhamos conversado que ele sairia, eu contratei o Carlito Arini. Ninguém do Avaí sabia. No esporte é assim: você faz alguma coisa no primeiro momento e fala se você está com convicção. Eu não falei aqui porque não tinha tido tempo. Eu contratei o Carlito, mas é por isso que eu falo que eu errei. Nenhum dos diretores aqui desta mesa ainda tinha sido informado. Eu ia informar. O treinador já estava mais ou menos visto quem era também. Era só eu dizer para ele que ele podia chegar, podia vir. Isso na terceira rodada.
Luiz Alberto de Oliveira, empresário dono da LA Sports, parceira do clube, teve influência direta na decisão do presidente. Zunino se arrepende de ter se omitido.
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- Aí aparece o nosso empresário, que foi muito importante para o Avaí, para a subida, que nós acertamos no final de 2007 quando ele ficou com a Traffic, depois a Traffic saiu e ele ficou ajudando a construir a grande equipe de 2008 com a qual no ano subsequente nós fomos sexto colocados do Brasileiro praticamente com aquela equipe: a LA (Sports, empresa do Luiz Alberto de Oliveira). Depois, tinha aquela coincidência de que vários jogadores se machucaram, mas antes disso, tinha o Luiz Alberto indo constantemente à imprensa para dizer que ia sair do Avaí porque estava cansado. Na verdade, ele foi para o Coritiba e ficou lá. De repente, houve um desentendimento com ele. Isso foi dito por ele para mim depois. Naquele desentendimento. Foi nesse momento em que eu já estava com essas pessoas responsáveis: o Carlito Arini e um treinador que estava no São Caetano que não estava contratado, mas estava alinhavado para vir (Márcio Goiano era o treinador do São Caetano à época). O Luiz Alberto também não sabia disso. Por isso que eu digo que o erro foi meu. No momento em que ele vem para indicar um treinador eu tinha que ter dito: "Luiz, você apareceu agora. Já está tarde. Já está contratado fulano". Poderia ter dito que beltrano também, mas ele não estava contratado. O Arini estava contratado. O Luiz Alberto trouxe, ele propôs, veio fazendo o esforço como é próprio do Luiz Alberto. Ele é muito forte nas suas convicções. Não que ele mandasse aqui. Não é isso. Era só eu dizer isso que eu estou dizendo para você, mas eu não disse isso e nem disse para ele que já tinha alguém. Se eu digo isso, estaria resolvido - afirmou Zunino.
Mas o presidente relembra que tentou sutilmente demover Luiz Alberto da ideia de trazer Alexandre Gallo para a Ressacada.
- O que eu disse para ele é que o treinador que ele estava trazendo não era um treinador que seria bom para o futebol do Avaí. Eu usei um termo que até saiu na imprensa na época que ele era um sagui cristaleira. Cada vez que ele precisava falar com alguém ele, embora não tivesse a intenção talvez, ele entrava em briga direta com quem quer que fosse. Ele mencionou que o homem tinha mudado, que o Márcio Rivellino tinha feito maravilhas com relação a ele. Eu confesso a você que achei que era uma coisa que poderia não ser boa para o Avaí naquele momento, mas jamais pensei que fosse um desastre. Porque foi um desastre. Esse profissional trouxe 15 jogadores para cá. Um time que foi o terceiro colocado da Copa do Brasil sendo desclassificado pelo time que veio a ser campeão depois? Então não era um time tão ruim assim, meu Deus. Pense bem. Ganhou do São Paulo, tirou o Botafogo, ganhávamos do Vasco da Gama de 1 a 0 em São Januário e o árbitro (Wilson Luiz) Seneme inventou um pênalti escandaloso aos 49 minutos do segundo tempo. Mas o que é importante de se dizer é que aquele time não era tão ruim assim que precisava contratar mais 18 jogadores para fazer o titular e o reserva.
Segundo o presidente, a vinda dos jogadores teve reflexo imediato nas contas do clube.
- Foi uma despesa muito grande para o Avaí. E o reflexo disso é o que estamos fazendo. A diretoria inteira, com muito empenho, está tentando contornar isso. O Avaí, em camisa, em toda a vida do Avaí, com correções e tudo, com os recentes patrocínios que nós fizemos e faltando dois espaços para concluir, nunca tivemos patrocínios tão fortes e tão grandes na camisa do Avaí como nós vamos ter esse ano. Aliás, já temos.
O presidente afirma com bastante ênfase que ele não pecará mais por omissão no Avaí.
- As lições que ficam desse episódio é que as minhas convicções têm que ser manifestadas totalmente. Eu tenho que fazer isso. E também participar mais com a diretoria. Não que eu não quisesse fazer isso. Ela sempre foi tentada. Ano passado, ela foi tentada mais do que nunca. Eu coloquei alguém que gostava de futebol para dedéu, que está aqui dentro que é administrador (Luciano Corrêa), lá para dentro do futebol do Avaí. Não deu certo. Hoje, nós temos o Ênio, que é o responsável pelo planejamento. Tanto é que nós conseguimos o ISO 9001. Nas próximas semanas, vem a certificação. É o primeiro clube do mundo que tem em todos os seus processos de atividade a certificação, uma coisa que nos organiza muito. Se eu estou com um convencimento, venho aqui, participo com meus diretores, peço apoio para eles, mas boto o meu convencimento. Se tivesse botado isso antes lá, eles teriam dado todo apoio para aquilo que eu estava pensando. Isso foi uma falha.
Na próxima parte da entrevista especial, Zunino fala sobre o desequilíbrio financeiro causado pelo inchaço do elenco, fala do déficit no caixa na virada do ano e assume salários atrasados, inclusive, para funcionários do clube.
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