Por INfoesporte
15/02/2012 - 14h34
Uma nova Ressacada está desenhada e sendo preparada para deixar o papel. O projeto é antigo, mas mais real do que nunca. Na segunda-feira, o presidente do Avaí, João Nilson Zunino, nomeou uma comissão de empresários, advogados, arquitetos e engenheiros que se empenharão em viabilizar o negócio que soma cifras estimadas em R$ 600 mi.
O estádio avaiano será derrubado e uma arena moderna erguida. Ao seu lado, no terreno que hoje abriga o Centro de Formação de Atletas (CFA) e o estacionamento de brita próximo ao mangue, um complexo de negócios com hotéis, escritórios, shopping center e centro de convenções será construído.
No CFA, onde é hoje o Campo 1, um hotel de 350 quartos será construído. Ao lado dele, outro com 150 leitos. No mesmo complexo, um edifício de escritórios de oito pavimentos com quase 22.000m². Serão dois edifícios com cerca de 300 escritórios. Na parte mais distante do CFA em relação à Ressacada, um Centro de Convenções de 6.000m² está planejado. Além disso, um shopping center com cinemas. Embaixo disso tudo, um estacionamento com previsão para 2.968 vagas.
A Ressacada não foi esquecida, mas será toda derrubada. Em seu lugar, uma arena para 32 mil lugares - no atual projeto, está previsto 25 mil lugares, porém já foi pedido pela diretoria que esse número fosse aumentado. O desenho do estádio mudará. Ele será um círculo com todas as cadeiras cobertas. E essa cobertura terá uma função estratégica de funcionar como uma concha acústica, já que faz parte do plano do Avaí trazer grandes eventos e shows para dentro da arena.

Quem apresentou esse projeto com exclusividade à reportagem do INfoesporte, foi o presidente João Nilson Zunino, na noite da última segunda-feira na sala da presidência na Ressacada.
- Hoje eu acabei de fazer uma nomeação com empresários, advogados, arquitetos e engenheiros que se reunirão para colocar isso em prática. São mais de dez que se organizarão em comissão e subcomissão para trabalhar em todos os setores para realizar isso o mais rápido possível.
Sabendo das reticências do torcedor quanto à projetos deste tamanho, Zunino assegurou que não se trata de um sonho distante.
- Os caras (investidores) que estão fazendo isso (o projeto) estão nos pressionando para que a gente comece o quanto antes. Isso não é sonho. É uma realidade. Isso só não dará certo se a Prefeitura de Florianópolis começar a criar uma série de empecilhos para isso. Com certeza, o nosso Conselho não criará. O nosso Conselho sabe alguma coisa desse projeto. Eles acompanham a gente nisso.
Zunino explica como funcionará a participação do grupo de investidores e o que será do Avaí.
- A arena é do Avaí. As outras coisas ficam com a empresa que coordena os mais variados tipos de investidores. Não é fácil. Porque aqui é bom? Porque aqui é do lado do aeroporto. Qualquer um quer investir num negócio desses.
Faz parte da intenção do investidor retirar o capital aplicado em um determinado tempo.
- Isso vai custar R$ 600 mi, vai dar no mínimo R$ 50 mi ou R$ 60 mi por ano de receita nesse negócio todo. Que eles entreguem R$ 4 mi ao ano ao Avaí, sendo que a manutenção do estádio será deles, de graça para nós.
Segundo o presidente, a manutenção do estádio ser de responsabilidade da empresa que administrará o empreendimento não foi uma exigência do Avaí, mas uma iniciativa dos investidores.
- O estádio novo será uma Arena. O calendário do futebol será todo respeitado ali. Mas o futebol não usa aquela estrutura toda a semana inteira. No Brasileiro, a gente usa duas vezes por mês. No resto, fica dando despesa infernal. Eles querem fazer grandes espetáculos. Por isso que eles querem ser as criaturas que vão manter isso. Eles precisam manter isso pronto para usar quando tiver algum evento. Não é o Avaí que quer que eles façam a manutenção.
Todo esse complexo construído no atual local do CFA demandará ao clube um novo centro de treinamento. A estratégia já foi traçada.
- Os caras têm que comprar um terreno para fazer o CFA. Antes de fazer isso tudo, eu comprei um terreno aqui perto pensando nisso. Porque tem que ser perto. O primeiro centro de treinamento tem que ser aqui. Se eu quisesse, teríamos uma área muito maior em Palhoça, mas se ficar para o continente o torcedor avaiano não gosta. Faz parte do folclore e a gente tem que respeitar isso - enfatizou Zunino.
O terreno já foi comprado, porém não pelo Avaí.
- Tem a rua asfaltada que vai para a Tapera. Ali tem um condomínio todo murado onde nós encontramos um terreno todo regularizado e pronto para construir. Só que quem comprou o terreno? Foi o presidente. Não tinha ninguém para comprar e guardar, mas não quer dizer que seja aquele ali. Eles terão que fazer o centro de treinamento e será ofertado aquele terreno. O melhor e mais barato é aquele. Está a 2 km daqui em linha reta, mas pode ser que eles não achem aquele ali o melhor lugar.
Ainda segundo o presidente avaiano, o terreno que será comprado pelos investidores será patrimônio do Avaí. Da mesma forma, o terreno onde está hoje a Ressacada e o CFA.
- É um comodato de 30 anos. Depois, eles têm que sentar e conversar com quem está por aqui e renegociar isso. Eu espero que quem estiver aqui não faça a loucura de querer assumir a administração disso. Porque eu sei onde isso acaba dando. Acaba tudo. Tem que negociar e pedir um percentual ao Avaí - explicou Zunino concluindo o assunto.
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