22/03/10
Entrevista com Marco Aurélio Cunha – por Diego Simão
O Meu Figueira, Blog do Ney Pacheco e o Blog do Tainha aproveitaram o jogo contra o Metropolitano no último sábado para entrevistar Marco Aurélio Cunha, ex-gerente de futebol do Furacão Alvinegro e atual superintendente do São Paulo. O profissional está auxiliando na elaboração do novo projeto de gestão e fala a seguir de sua colaboração com o Figueirense, a possibilidade de emprestar jogadores ao alvinegro e as chances de voltar a trabalhar em Florianópolis.
Como será a tua colaboração com o Figueirense e teu envolvimento com este novo projeto que começa a ser implementado?
Há 10 anos eu me envolvi com o primeiro projeto, trabalhei enquanto o Paulo quis. Me frustrei muito quando saí, porque era um projeto que eu queria perpetuar pela cidade, pelos amigos conquistados, mas o poder de decisão era deles e ninguém havia me chamado novamente aqui no Figueirense. Sempre torcia, acompanhei, fiquei felicíssimo com a ascensão à série A. O que houve foi um projeto belíssimo, de alta capacidade profissional que teve um final em que se distanciou do torcedor e o clube com vocação mais ao negócio do que ao lazer e ao entrenenimento. Futebol é entrenimento. É paixão. É dar alegria ao torcedor. Depois ele pode até virar negócio. Foi o único deslize que essa gestão que sai cometeu, abandonando o foco do entretenimento e focando no negócio. Teve seu grande momento e depois seu acaso.
Isso aconteu em vários clubes. No Paysandu com o Tourinho, deputado federal, que foi da Libertadores para a terceira divisão, fruto da decadência administrativa. O Bahia,com o Paulo Maracajá, também com vocação mais para a política. O Vitória, já com o Paulo Carneiro, mais com negócios mas também decaiu. Também aconteceu no Santos com o Marcelo Teixeira, no Palmeiras, com o Mustafá Contursi. Essas gestões prolongadas terminam com quedas tristes. Não é o caso do Figueirense apesar da queda à série B, que pode acontecer com qualquer clube, como aconteceu com Corinthians, Grêmio e Atlético Mineiro.
Creio que seja uma sacudida, uma mudança, e como me chamaram, lembrando o começo em 1999, eu não posso deixar de colaborar. Como colaboraria com o Avaí. O Zunino é um grande amigo, tenho uma relação muito boa com ele. Ajudei o time, de certa forma, indiretamente, ajudei bastante o Silas no ano passado, com conversas e opiniões. Agora é a vez de voltar a ajudar o Figueirense, pelo momento, por estar na série B e o futebol catarinense precisa ter dois na série A.
Minha ajuda será corporativa, com o que o São Paulo puder oferecer. Já fui autorizado pelo presidente.
Nesse sentido, vai ser uma parceria institucional ou algo mais como “portas abertas”, um relacionamento mais próximo?
O clube não pode ter uma parceria institucional muito forte, porque os negócios são com todos, mas a gente pode priorizar os amigos. Então conversei com o presidente ele me autorizou a estreitar a relação para que o Figueira possa receber alguns atletas, para discutir o que o São Paulo está fazendo para a Copa do Mundo, patrocínios, etc. Não é só um time de futebol, é um processo administrativo. O importante é o futebol, claro. Nós vamos sentar e discutir como posso ajudar porque hoje estou muito compromissado com a superintendência do São Paulo, com a Câmara Municipal, como vereador, mas sempre vai ter um sábado à tarde para pegar o avião e vir para cá. Essa relação com Florianópolis eu tenho. No meu coração, eu sou um cidadão daqui, venho sempre passar o fim de ano. O nível das pessoas é extraordinário e eu me sinto muito bem aqui e quem sabe venha morar para cá um dia.
O prazo de inscrição do campeonato catarinense termina nesta sexta-feira. É possível trazer algum jogador do São Paulo até lá ou será avaliado com mais calma para a série B?
A gente respeita muito os jogadores no São Paulo. Para explicar o que é o Figueirense, a sua essência, como é a cidade, as pessoas que vivem aqui, não será de segunda para terça para decidir a vida de alguém. Para ser profissional, tem que ter um processo bem definido. Se eu chegar para um jogador que confio, que é talentoso e falo “vamos para o Figueirense” e ele fala que tem outra opção, esquece. Vamos pegar aquele que quer. E vai ter. Vamos trabalhar para a pessoa vir para cá concentrada no Figueirense, envolvida com os objetivos. Nunca gostei das coisas feitas de afogadilho. Quanto menor é o time, mais rápido o sujeito estréia. As estréias tem que ser bem trabalhadas, o treinador tem que conhecer o atleta. É um descaso com o jogador que fica na reserva, outro jogador chegar hoje e estrear amanhã. Prefiro que o atleta se adapte, conheça o campo, a luz do refletor, para não queimá-lo logo de saída.
Essa colaboração retomada agora pode significar seu retorno para o Figueirense no futuro?
Nunca descarto isso. Tenho mais dois anos e meio de mandato como vereador. Não sei se vou prosseguir na política. Sou conselheiro e funcionário do São Paulo. Estou acumulando coisa demais. Quem sabe daqui a dois anos eu não posso deixar tudo isso, vir comer alguma coisa na Lagoa e curtir a cidade e meus amigos, colaborando com o Figueirense. É um projeto que eu tenho.
Esse projeto foi abortado da primeira vez?
Pois é. Eu teria ficado em Florianópolis. Eu teria deixado de ser campeão mundial, tricampeão brasileiro e teria ficado 10 anos aqui. Era o que o Paulo (Prisco Paraíso) me dizia, me seduzia com isso. E eu acreditei. É a única frustração que eu tenho. Ter acreditado nessa história.
(Por Ney Pacheco e Diego Tainha)





