02/07/10
Na balança: a Era Chamusca! – por VidAvaí
Na foto, Chamusca solitário, com o mundo – a torcida avaiana, a obrigação do título estadual, o peso da fama de Copeiro, a não definição de um time titular em seis meses de trabalho… – nas costas.

Foto: Guto Kuerten.
A Era Chamusca está chegando ao fim antes do planejado. Educado, inteligente, boa praça, qual teria sido o balanço geral de sua passagem?
1) Começou errada. Quando Chamusca chegou ao Avaí, o elenco avaiano para 2010 já estava montado por L.A. e Moisés Cândido. Quando Chamusca chegou, o elenco já estava inchado o suficiente para impedir novas contratações. Meses depois apareceu o zagueiro Léo San. Não há como questionar a qualidade dos dois homens de futebol do Avaí, tampouco a necessidade de apressar contratações estratégicas para não perder o timming do mercado, mas se é para montar um time inteiro sem a opinião do técnico que comandaria a equipe, sugiro que não gastem dinheiro com treinadores.
2) Os números não mentem, Chamusca fez história. Até maio de 2010 o Avaí tinha um aproveitamento de 63,89% e um título de bicampeão estadual que não conseguia desde a decada de 1940. Nos jogos em casa, o aproveitamento subia para mais de 80%. Números impressionantes e inesquecíveis. Mas, que caíram com o início do Brasileirão…
3) A Diretoria deu a Chamusca a oportunidade de fazer todos os testes necessários com o elenco. Curiosamente, o treinador não fez teste nenhum e insistiu praticamente todo o catarinense numa mesma formação, com três zagueiros, um meia de criação e dois atacantes.
4) Chegou com fama de Treinador Copeiro e com o peso do discurso da diretoria de fazer a melhor Copa do Brasil de todos os tempos do Avaí. Parou na mesma fase que outros treinadores pararam, mas com uma vitória sobre o Grêmio de Silas, com tons de desforra da torcida contra o fantasma que Chamusca – e a arbitragem, em Porto Alegre – ajudou a exorcizar. Para alguns, foi tão bom chamar Silas de Iscariotis (relembre aqui), que a desclassificação na Copa do Brasil nem foi tão sentida.
5) O Avaí ganhou o Estadual nas costas, brincando de revezar jogadores. Em compensação, chegou ao final sem uma escalação titular. Não tínhamos um time completo na ponta da língua, mesmo porque as grandes contratações – os maiores salários do time – não tinham condições clínicas e físicas de jogo.
6) Chegamos a JULHO e não temos um time titular. Não temos um padrão de jogo (que funcione). Os destaques do Estadual sumiram. Os que permaneceram sentiram a diferença de enfrentar o Atlético de Ibirama e de se enfrentar o Fluminense na Ressacada. Os maiores salários ainda não jogam.
Em resumo, Chamusca teve a difícil missão de recompor rapidamente um grupo que foi totalmente dinamitado pela saída de todos os destaques de 2009. Criar um time do zero é muito difícil. Sem os jogadores contratados para serem titulares e sem um pouco de ousadia para fazer alterações, a coisa estava ficando feia. Chamusca fez o que pôde, embora talvez pudesse ter ousado mais, experimentado mais e obedecido de menos.
Chamusca, obrigado por tudo e boa sorte! Chamusca fez um bom negócio ao ir para o Qatar. Que o Avaí faça um bom negócio ao contratar um novo treinador e que Nossa Senhora da Ressacada faça do improviso (a troca imprevista de técnico) a nossa salvação.
(Video: Blog Oficial do Avaí.)




